Com as eleições para o Conselho Geral a terem lugar no 4º trimestre de 2020, abre-se uma oportunidade para que a UBI faça um balanço do seu percurso e defina de forma clara e participada a sua estratégia para a próxima década num mundo em mudança acelerada. Com a 4ª revolução industrial em curso, que é caraterizada pela transformação digital da sociedade, a UBI precisa de fazer alinhamentos nos eixos estratégicos de ensino, investigação e inovação. Mas precisa, também, repensar e recuperar a confiança de todos aqueles que nela trabalham e estudam, através da criação de um propósito com base nos valores de justiça, razoabilidade e reconhecimento do mérito.
Isso passará por elaborar um plano estratégico (participado) para a década 2020/30 com intuito de caminhar a passos largos da atual Universidade 4.0 para a Universidade 5.0, que é a universidade da desburocratização inteligente, das preocupações ambientais e da sustentabilidade. A Universidade 5.0 é a universidade baseada nas redes 5G (5ª geração), que vai mudar radicalmente a engenharia, a medicina, a arte, o design, a arquitetura, a economia, a gestão, o ensino, e, em poucas palavras, a vida das
pessoas e, consequentemente, o seu desenho organizacional e funcional.
A nossa candidatura à liderança da UBI, primeiro ao Conselho Geral, depois à Reitoria, tem como visão promover as condições para esta mudança de paradigma, que é fundamentalmente uma questão de sobrevivência. A nossa equipa tem a experiência, a capacidade e a ousadia de promover essas condições e liderar esta mudança essencial.
Nesta nova era da Universidade, continuará a desenvolver-se a proximidade entre professores e alunos, e que permitiu desenvolver os modelos de ensino-aprendizagem centrados no professor e no aluno, sendo disso exemplo o modelo pedagógico adotado pela Faculdade de Ciências da Saúde aquando da sua criação. Sem prejuízo destes modelos de ensino-aprendizagem, o ensino do futuro passará a ter também uma abordagem em rede, com acesso cada vez mais fácil à informação e ao conhecimento, em que estudantes e professores cooperam para alimentar o desenvolvimento e o pulsar das novas gerações.
Com o modelo de aprendizagem em rede, estudantes e professores devem estar ligados e serem aliados num conhecimento dialéctico que encoraje a aprendizagem mais personalizada de cada estudante e a sua autonomia. Este modelo de ensino-aprendizagem alinhado com a transformação digital, e designado por Educação 4.0, exigirá certamente a repensar os planos dos ciclos de estudos, tornando-os numa oferta competitiva com as demais universidades. E, por isso, devemos repensar como os professores ensinam e os estudantes aprendem, embora os modelos de ensino-aprendizagem centrados no professor e no aluno devam continuar a coexistir na universidade. Com efeito, uma Universidade com os olhos postos no futuro deve, necessariamente, recuperar e readaptar modelos de ensino e investigação de sucesso, bem como padrões éticos e deontológicos que a permitam projetar-se a nível nacional e internacional.
Num quadro estratégico forte e ambicioso, a UBI precisa igualmente de se alinhar com as políticas de educação, investigação e inovação da União Europeia (EU), criando e fortalecendo parcerias, em consonância com as melhores práticas do que se faz noutras universidades mais prestigiadas nacional e internacionalmente. No que respeita à investigação, é preciso estar ciente que o Framework Programme 9 adotará uma lógica de continuidade relativamente ao atual Horizon 2020 Programme, com três pilares (Ciência Fundamental, Desafios Globais e Inovação Aberta) e abordagens interdisciplinares e setoriais aos grandes desafios societais.
Para se ser bem-sucedido na captação de financiamento para a investigação, as candidaturas a projetos europeus deverão ser feitas, a nível exógeno, com o suporte de empresas especializadas na elaboração de projetos científicos. A nível endógeno, a Universidade deverá criar sinergias e laços de solidariedade entre docentes e discentes que facilite o trabalho interdisciplinar e em equipa para a apresentação de candidaturas. Para isso, a UBI deverá valorizar e reforçar ainda mais os seus quadros especializados em gestão de ciência, capazes de responder à exigência dos elevados patamares da política científica de uma universidade dinâmica, inovadora e criativa. Em simultâneo, os processos burocráticos devem ser agilizados e simplificados, permitindo aos docentes maior disponibilidade para investirem mais não só na sua valorização pessoal, mas também nos conteúdos de unidades curriculares e nas atividades de ensino, de investigação e de gestão universitária.
A UBI precisa também de uma estratégia clara para a inovação. Isso só será uma realidade se a UBI vier a fazer alinhamentos com a política nacional e europeia no que respeita ao financiamento para a investigação com relevância direta para as empresas e que atenda às necessidades da sociedade, incluindo a melhoria da qualidade de serviços públicos, a proteção da biosfera e do clima, bem como garantir a segurança alimentar e a sustentabilidade do fornecimento de energia. Parar tornar isto possível, há que levar a cabo o planeamento e o desenvolvimento de uma universidade verdadeiramente orgânica e sinérgica, capaz de estabelecer conexões no tecido do conhecimento entre as ciências sociais e humanas, as ciências exatas, as artes, as ciências médicas, as humanidades, as letras, bem como a engenharia e a arquitetura.
Só assim se estará mais perto de contribuir para o crescimento económico, a criação de emprego, desenvolvimento social e cultural, como é desejável numa sociedade livre, aberta, justa, democrática e sustentável. Do mesmo modo, se estará mais próximo de criar startups e spinoffs profundamente inovadoras e de grande valor acrescentado e, depois, almejar criar as condições —algumas das quais já existentes na Cova Beira e na Beira Interior, como é o caso do Data Center, dos parques tecnológicos, de inovação e incubação empresarial, da UBI e dos Institutos Politécnicos da Guarda e de Castelo Branco— para o surgimento de um cluster de tecnologia, que deve tirar partido do meio ambiente da Serra da Estrela para promover o turismo de natureza, o turismo científico e o turismo de saúde.
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Todos os retratos por João Pedro Silva.