Com a quarta revolução industrial em curso, as universidades, e a UBI em particular, têm de repensar as suas políticas educativas. Para preparar os futuros graduados para o mercado de trabalho, as universidades devem alinhar o ensino com as melhores práticas proporcionadas pela quarta revolução industrial, e que se caracteriza pela transformação digital sustentada na Internet, nas tecnologias inteligentes (smart tecnologies), na inteligência artificial, na robótica e na sustentabilidade.
O ensino virtual é hoje uma realidade
Com a opção de aprender virtualmente em plataformas digitais, que ligam professores e estudantes, passou a haver outro modelo de ensino-aprendizagem, para além do modelo centrado no professor e do modelo centrado do aluno, os quais, porém, deverão coexistir na universidade. As universidades terão de se adaptar a este novo modelo de ensino-aprendizagem mediado por plataformas digitais ou, se se quiser, ensino-aprendizagem em rede, em que estudantes e professores, enquanto nós da rede, participam e cooperam formal e informalmente no sentido de desenvolver nos estudantes os seus talentos, as suas competências e os atributos da sua formação, a nível pessoal e profissional.
A ser assim, as universidades estarão mais preparadas para formar quadros mais flexíveis e adaptados aos tempos modernos e às necessidades do mercado de trabalho. Isso exigirá uma abordagem disruptiva na aprendizagem de competências técnicas (hard skills), bem como noutras competências de natureza diversa (soft skills), incluindo competências na resolução de problemas complexos, competências na perceção e compreensão dos processos, competências sociais, entre outras.
Como fazer uma revolução digital coerente?
Para concretizar a política educativa subjacente à quarta revolução industrial, designada por Educação 4.0, há que garantir a satisfação três pré-condições:
A motivação dos docentes é particularmente importante, pois ela é condição sine qua non para a construção de uma universidade que perdure no tempo. Para isso é preciso libertar os docentes das cargas excessivas de trabalho quer a nível letivo, quer a nível burocrático, por forma a que tenham mais tempo para trabalhos de investigação e inovação, para estabelecer parcerias com os outros colegas nacionais e internacionais, bem como valorizar a sua atividade em momentos de avaliação de docência e em momentos de avaliação concursal.
Não é verdade que ensino virtual deixa de ser presencial
Ora, se é verdade que o modelo de ensino-aprendizagem presencial terá sempre um papel fundamental no pulsar das universidades, não é menos verdade que se terá de caminhar para outros modelos de ensino-aprendizagem, em particular aquele mediado por plataformas digitais, à semelhança do que já se faz em universidades prestigiadas internacionalmente. Este modelo de ensino-aprendizagem servirá, numa fase transitória alargada, para veicular e complementar o conhecimento teórico, deixando-se o conhecimento de natureza prática para as aulas presenciais.
Ser global sem sair da Covilhã
A grande vantagem das plataformas digitais para o ensino é que elas emprestam às universidades que as adotarem uma dimensão global que extravasa uma região, um país e um continente. Tornar-se-á exequível desenhar e construir cursos superiores preparatórios, de licenciatura e de mestrado para comunidades em países lusófonos e promover a língua portuguesa como língua científica. Isto é tanto mais importante quando se prevê que em 2050 haja cerca de 600 milhões de falantes da língua portuguesa em todo o mundo. Por outro lado, a UBI deverá igualmente ousar e exercer a sua influência noutras latitudes e culturas.
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Todos os retratos por João Pedro Silva.