A nossa UBI e o mundo em mudança

Petronila rocha pereira - Faculdade de ciências

Certamente esta denominação surgiu da vontade que todos os que integram e apoiam esta equipa têm, de encontrar, reencontrar uma UBI, onde todos sejam iguais, com os mesmos deveres , as mesmas  obrigações, mas também as mesmas oportunidades  os mesmos direitos, para hoje e para as gerações vindouras, de professores, alunos, funcionários, bolseiros e investigadores, de modo  que, todos se sintam verdadeiramente tranquilos sob o ponto de vista do seu trabalho, seja  científico, pedagógico ou outro, e assim possam contribuir para que a nossa Universidade seja melhor e mais justa.

A razão de integrar esta lista é unicamente no sentido de colaborar com uma equipa liderada pelo Professor Abel Gomes, pessoa, professor e investigador, sério, com sentido de equidade e liderança, acompanhado por pessoas  que com ele objectivam o mesmo propósito, e que invulgar e curiosamente, poucas  desempenharam até hoje, lugares de  destaques na UBI, por variadíssimas razões, pessoais ou profissionais, ou quem sabe por falta de oportunidade, e não por  qualquer falta de competência!

Esse facto, é muito importante para se acreditar numa equipa, sem “vícios”, sem hábitos de chefias, mas com vontade de liderar. Liderar equipas é diferente de chefiar, o líder é aquele que sabe fazer que “mete as mãos na massa” que manda e sabe mandar, e para isso é preciso apresentar objectivos claros, mas também planear o modo de os concretizar, e convicta estou, que o Professor Abel Gomes, é quem melhor  sabe fazer isso e muito bem.

Procuramos com esta lista, “um refresh” para a nossa Universidade com gente que se quer empenhar no trabalho, na transmissão de conhecimento aos alunos alicerçado na sua própria investigação, porque esse é um dos principais propósitos de uma Universidade. Os alunos são a pedra basilar de uma Universidade, são os alunos que nos dão coragem, para em qualquer situação, por adversa que seja, prosseguirmos, porque eles são afinal a razão de ser de todos os que trabalham diariamente na Universidade. Para eles defendemos sempre o melhor, e por isso a investigação é inerente ao conhecimento actual de qualquer área disciplinar, e é essa a base de um ensino de Qualidade. Precisamos assim de investigadores, de bolseiros, de professores, de funcionários, em suma; todos somos necessários.

Quanto à investigação, ela tem que ser diariamente incentivada, de modo a projectarmos a Universidade a nível internacional e mostrarmos o que de melhor se faz na UBI, ao Mundo.

Para isso é preciso incentivar as equipas, liderar bem os centros de investigação, premiar os que há anos lá trabalham e lhes possam possibilitar contribuir para que a nossa Universidade possa estar ou não, nos melhores   rankings das Universidades.

Hoje, como já há algum tempo, no meu quotidiano de professora e investigadora, constato um verdadeiro desinteresse por parte de elementos de equipas que há anos a fio trabalham, muitos de nós desde o primeiro dia da existência da nossa Universidade e onde todos, fomos essenciais para que novas faculdades e cursos existam hoje na UBI. Desde logo a edificação e ampliação da Universidade há já muitos anos, depois, o incentivar e o apostar na ciência e na área da investigação, formando Doutores e depois??? Depois, parámos no tempo, não houve de modo meritório progressão nas carreiras, estagnaram-se os concursos e os que houve “não foram para todos” porquê? Colegas, todos sabemos onde e porque se” encrava” um sistema de progressão nas carreiras, primeiro, mas não só, na exiguidade de concursos e depois por falta de concursos levados com seriedade e transparência. Urge portanto chamar a atenção que os candidatos aos concursos não possam ficar nas mãos e na vontade de um qualquer júri, que entretanto já está a trabalhar sob premissas e critérios que  indiciam não serem definidos previamente com seriedade, igualdade e transparência o que até em certos casos veda aos Tribunais  fazerem uma adequada justiça substantiva, daí a minha sintonia com a apologia do Mérito Absoluto invocado pelo Professor Abel Gomes.  

É preciso definir critérios atempados e claros de progressão de carreiras, é preciso definir o mérito necessário para cada patamar, é preciso reconhecer o mérito dos candidatos, é preciso definir critérios rigorosos e transparentes nos concursos para as diferentes áreas científicas e categorias nas carreiras. Isso é de extrema importância para todos nós e para cada um em particular. Para muitos dos Colegas, dependendo da idade, tudo isso pode constituir razão para definir vidas profissionais e familiares e por esse facto, não se pode brincar com a vida e com as carreiras das pessoas, e com os conhecimentos a transmitir aos alunos. Não podemos permitir mais, que “meia dúzia “de pessoas continuem a controlar e a decidir por muitos, e que alguns dos que trabalham na nossa Universidade vivam o seu dia a dia amedrontados e tolhidos e que nem sequer lhes seja permitido opinar, porque se o fizerem receiam ser penalizados, ainda que seja por omissão ou preterição e talvez por isso, alguns dos melhores tenham decidido abandonar a UBI a favor de outras Universidades.

Veja-se agora a clara inoportunidade de abertura de concursos de professores e a decorrerem em pleno período eleitoral! Por favor, comunidade académica, não deixem que “nos tapem o sol com a peneira, e mais cego é quem não quer ver.” Isto, no mínimo pode indiciar a tentativa de manipular directa ou indirectamente sentidos de voto.  Assim no que se refere à carreira dos professores, está bem claro o que é preciso fazer:  criar para todos as mesmas opções e oportunidades com clareza e a maior transparência.

Não pode haver medo de afirmar o que está à vista de quase todo cidadão comum, por simples consulta na Internet e de muito fácil acesso a todos e muito mais por quem nestes meios se move, que há na UBI professores catedráticos com curricula vitae que talvez se adequassem mais  aos  requisitos de professores auxiliares, e ao invés há professores auxiliares com curricula vitae  adequados a professores catedráticos! É, portanto, fácil de perceber como se governa esta Universidade, na verdade nem sequer interessa saber a área cientifica de interesse e competência dos Colegas ou muito menos conhecer os seus curricula vitae porque ficariam certamente envergonhados, e isto é inaceitável numa Universidade!  Se tal situação se deixar prosseguir, a curto prazo estaremos com uma Universidade e centros de investigação meramente Suficientes, quando poderemos criar inequívocas condições de Excelência.

Esta nova equipa tem definida uma estratégia pensada e alicerçada, que nos permitirá lançar a Universidade para o Mundo, e não menos importante permitirá também aprofundar as relações locais, regionais e cooperar assim para que surjam projectos com instituições e empresas públicas e privadas.

Temos igualmente planeada a interacção da Universidade com as referidas instituições e empresas públicas e privadas de modo a projectarmos os nossos alunos para o mercado de trabalho, ajudando-os a preparem-se para que os seus sonhos profissionais se tornem uma realidade.

Não se pode concordar com uma óptica redutora de conservar os alunos connosco desde a sua opção para na UBI fazerem a sua licenciatura, mas é nosso dever enquanto docentes e investigadores projectá-los a eles e ao nome da nossa Universidade para centros de excelência a que cada um de nós como professores da  UBI, poderá  estar eventualmente  ligado, pelas mais variadas razões.

Não podemos continuar com ideias pré-definidas, mas sim reajustarmo-nos a planos actuais, apreendermos e reaprendermos, e por isso estamos aqui para ajudar a transformar esta Universidade numa UBI diferente e melhor, para nós e  também e, principalmente, para os nossos alunos, onde cada um deve ser tratado do mesmo modo, com as mesmas regalias em todas as faculdades, deixando de haver alunos de primeira e de segunda.

Questiona-se: Será que não são todos alunos da mesma Universidade? E não será o valor da propina igual para todos?

Temos de nos orgulhar de promover a colocação de alunos da nossa Universidade noutras Universidades e noutros centros de investigação em Portugal e no Estrangeiro, e vice-versa, e assim aumentar a articulação e troca de experiências e conhecimentos; esta tem de ser a visão de futuro da Universidade relativamente aos nossos alunos. É nossa missão dar-lhes todas as condições para os ensinarmos a “voar”, depois…. depois eles serão os nossos melhores públicos  mensageiros  do que  melhor  aprenderam  na nossa Universidade.

Quão grata hoje me sinto ao ter contactos com ex-alunos a quem há dezenas de anos ensinei o que de melhor sabia, para tirarem dúvidas, para se posicionarem anos depois em áreas profissionais de referência. Foram estes os ensinamentos dos meus mestres, um dos quais após uma intervenção em congresso internacional, há já muitos anos, me incentivou para fazer parte da sua equipa de investigação no Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) da Universidade do Porto, equipa onde permaneci como investigadora integrada a par do trabalho de colaboração no CICS-UBI. Em tão boa hora aceitei esse desafio que ainda hoje com os seus ensinamentos e os nossos projectos alargados a outras instituições, podem os alunos da UBI deles beneficiarem. Isto é um excelente modo de projectar uma Universidade, ou seja, “dar asas” a quem precisa e merece investigar dentro e fora da nossa Universidade que também com esse modelo só ficará a ganhar. E daí ser impossível  não  ter sempre um especial agradecimento ao Professor Alexandre Quintanilha, que com outros, me ajudaram a conduzir ao longo dos anos também  alunos da Universidade da Beira Interior, e sentir a  satisfação de no âmbito destas sinergias, hoje vermos  ex-alunos da UBI reconhecidos e a ocupar  lugares de destaque em instituições de referência, mas este é um trabalho que gostava de sentir ser da UBI no seu todo, o que acredito que a equipa “A NOSSA UBI 2030” se empenhará.

Finalmente uma palavra de força neste momento tão peculiar da UBI e das nossas vidas, para os nossos alunos, funcionários, bolseiros, professores, professores em tempo parcial, professores com contratos precários e investigadores, todos eles com um papel determinante na vida da nossa Universidade.

Haja, portanto, reflexão e aguarde-se o momento marcante de transformar a UBI na “NOSSA UBI”, de todos e para todos sem excepção e sem medos.

É preciso assim alterar paradigmas da nossa Universidade com determinação, empenho, sacrifício e saber, para hoje, para amanhã, para todos nós e para os que vierem a seguir, sempre com os olhos postos no futuro!

Covilhã, 5 de novembro de 2020

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