Resiliência em tempos difíceis

ABEL J. P. GOMES - FAC. ENGENHARIA

A Estratégia Global da União Europeia “Visão partilhada, ação comum: uma Europa mais forte” apresentada em junho de 2016 propunha ao longo do seu texto a resiliência como o comportamento necessário a adotar pela União Europeia (UE) para a sua capacitação enquanto Ator Global. Este conceito que aparece referenciado trinta vezes ao longo do texto, mais do que uma simples buzzword, representava as aspirações de uma abordagem pragmática e transformadora, resultado de mudanças complexas que a UE enfrentava depois da crise económica e do apelo humanitário de milhares de refugiados. Esse é o documento estratégico da UE em vigor até hoje e o vocábulo entrou nos documentos oficiais das mais diversas áreas e políticas europeias. Também em 2016, o neurocientista Richard Davidson, que dirige o Center For Healthy Minds na Universidade de Wisconsin, referia que a resiliência é o principal elemento do bem-estar individual. Ora, quer seja analisada do ponto de vista estatal, societal ou individual, a resiliência compreende três elementos fundamentais: 1) capacidade de adaptação à mudança; 2) resistência a situações adversas e 3) superação de obstáculos. 

Perante a situação de incerteza, ansiedade e contingência da população mundial e, em particular, dos portugueses, em consequência da atual pandemia da COVID 19, a Iniciativa “A Nossa UBI 2030” pretende reconhecer e agradecer o trabalho e dedicação ao próximo de tod@s aquel@s, a maioria cidadãos anónimos, que têm contribuído decisivamente para alertar, proteger, tratar, em suma, manter em funcionamento, de forma humanamente possível, as instituições de que dependemos, procurando garantir o equilíbrio necessário, entre a proteção da saúde e o funcionamento da economia e da sociedade. 

Infelizmente, o cenário mais esperável é que este estado de contingência dure mais tempo do que o razoável, o que nos obriga a ser resilientes, manifestando capacidade de resistir e de nos adaptarmos a novos comportamentos. A Iniciativa “A Nossa UBI 2030” pretende contribuir, com enorme respeito pela situação, para que neste período mais difícil sejamos capazes de nos superar e de preparar os próximos tempos.

Por isso, confiamos plenamente em tod@s @s professor@s da UBI e na capacidade que est@s têm vindo a demonstrar na adaptação a novas plataformas de ensino-aprendizagem, na reinvenção de novas metodologias de ensino a distância e no seu empenhamento diário e, em grande medida, individual, para que a Universidade da Beira Interior continue a assegurar o ensino de qualidade. Confiamos igualmente no profissionalismo e dedicação dos funcionários que têm mantido a instituição a funcionar, bem como nos estudantes que abnegadamente se têm empenhado no processo de ensino-aprendizagem online que a atual situação impõe. 

Com efeito, a resistência que tod@s revelaremos perante este momento de profunda adversidade, definir-nos-á enquanto instituição de ensino superior credível, mas também como mestres de acordo com a maiêutica socrática. Na verdade, se privilegiarmos a procura do que não se sabe, em detrimento da transmissão do que julgamos saber, iremos favorecer um ambiente de investigação permanente, primeiro e último desígnio de uma Universidade. 

A nossa capacidade de superar os obstáculos que se apresentam será decisiva num mundo, que, provavelmente, conhecerá profundas mudanças. Perante a adversidade iremos tod@s crescer e acrescentar-nos e não desistir nem nos reduzir. 

Podem contar connosco, nós contamos com tod@s. Estudantes, funcionários e professores, apenas agregados e considerados podemos ultrapassar este momento estratégico.

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