Toda a comunidade afeta à UBI certamente está ao corrente, do recente Departamento de Artes, autonomizando-se mais que oportuna e legitimamente, face ao anterior Departamento de Comunicação e Artes, com todo o apoio institucional da Faculdade de Artes e Letras. Em simultâneo, a FAL apoiou a criação de um Mestrado em Artes Visuais, um projecto já com algum tempo na gaveta e que em conjunto com alguns colegas, materializamos, catalisando um contexto inevitável de crescimento. Contudo, este ciclo de estudos não está (ainda) em oferta, devido a alguns constrangimentos, por vezes difíceis de entender e aceitar.
Por um lado, por parte da A3ES, denota-se uma forte oposição, estruturada numa questão fundamental e que se prende sobretudo com a falta de docentes estritamente especializados em Belas-Artes, acrescendo ainda o facto de ser necessário um espaço exclusivamente dedicado à criação artística plástica e visual, a que a Faculdade de Artes e Letras prontamente respondeu, encetando todos os esforços nesse sentido para colmatar essa lacuna.
Por outro, internamente e relativamente à questão dos docentes, não tem sido possível contratar docentes especificamente para esta área, quando ainda há tanto por fazer para os restantes cursos de Design e Cinema que o Departamento de Artes oferece, sem esquecer que uma grande quantidade dos seus docentes estão em regime de contrato a 50%, situação pouco dignificante e até paradoxal num Estado de direito e que continuamente apresenta claras objecções constitucionais.
São questões orgânicas e que representam um investimento material significativo, dificilmente exequíveis agora que nos aproximamos do final do mandato da actual reitoria.
É primordial para o Departamento de Artes, a existência de uma formação desta natureza, que não esqueça as Belas-Artes tradicionais e que avance nos novos modos do fazer artístico, não apenas para reforçar o epíteto do que representa na FAL, mas também porque esta área tão específica permite um posicionamento externo de manifesta visibilidade, através da materialização de obra e investigação artísticas, nos seus contextos próprios e em parcerias oportunas, quer na região da Beira Interior, quer em todas as outras possibilidades territoriais, em parcerias nacionais e internacionais já encetadas e que aguardam resolução.
De igual modo, o projecto de formação artística para o Departamento de Artes contempla espaços de divulgação, quer do seu produto e de acordo com os seus diferentes estádios, quer nas possíveis parcerias com artistas visuais e com diferentes estatutos nas hierarquias de reconhecimento público, permitindo assim uma programação eclética, permitirá ainda a captação de futuros alunos.
No projecto de estruturação para as Artes, e como sugeri já em momentos anteriores, a materialização de uma Colecção de Arte da UBI, face às possibilidades materiais e críticas que detemos no presente, é uma realidade almejável e viável, bastando para tal uma existência dialogante, muitas vezes diluída em inexplicáveis situações de velada oposição e que ultrapassam os objectivos mais basilares do ensino universitário,
Não podemos igualmente esquecer, que, independentemente das múltiplas soluções de gestão para a UBI, a nossa missão enquanto docentes universitários assenta em pilares universais, promovendo a colaboração entre os seus ‘operadores’ e áreas de conhecimento diversas, concorrendo para uma melhor e mais eficaz Universidade da Beira Interior.
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Todos os retratos por João Pedro Silva.